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Trabalhar três a quatro horas a mais por dia eleva em 60 por cento risco de doença cardíaca Imprimir e-mail
13-May-2010
A conclusão principal deste estudo é que quem trabalha três a quatro horas a mais do que devia diariamente tem um risco acrescido em 60 por cento de vir a sofrer de problemas cardíacos, como angina de peito e enfarte agudo de miocárdio.

Para chegar a esta conclusão, uma equipa de investigadores europeus utilizou os dados de um grande estudo epidemiológico britânico, chamado Whitehall II, que desde 1985 segue a saúde de mais de dez mil funcionários públicos britânicos.

"A associação entre longos horários de trabalho e doenças das artérias coronárias é independente de outros factores de risco, medidos no início do estudo, como fumar, ter peso a mais ou ter colesterol elevado", explica, num comunicado da Sociedade Europeia de Cardiologia, Marianna Virtanen, epidemiologista do Instituto Finlandês de Medicina Ocupacional e do University College de Londres, a principal autora do estudo.

Sem explicação

No entanto, os cientistas não conseguem explicar qual o mecanismo por trás desta relação entre o excesso de horas de trabalho diárias e o aumento de risco de doenças do coração.

Há várias explicações possíveis, embora nenhuma satisfaça. Por exemplo, quem tende a trabalhar horas a mais pode sofrer de hipertensão silenciosa, que não seja detectada durante exames médicos. Estas pessoas têm também tendência a ir trabalhar mesmo quando não se sentem bem, ignorando os sintomas quando estão doentes, sem procurar ajuda médica.

No entanto, a conclusão de que trabalhar horas a mais aumenta o risco de sofrer de problemas do coração é independente de todos estes factores, sublinha Marianna Virtanen.

Outra possibilidade é que as pessoas que trabalham demasiadas horas diariamente tenham hábitos de vida menos saudáveis - embora alguns dados do estudo apontem noutra direcção, como o facto de serem homens aparentemente mais saudáveis e até mais jovens, em relações estáveis, os que trabalham em demasia. "Talvez o stress crónico (associado aos longos horários de trabalho) afecte negativamente o metabolismo", adianta ainda a cientista, reconhecendo a necessidade de se fazer mais investigação.

Mika Kivimäki, professor de Epidemiologia Social no University College de Londres e coordenador da equipa, aponta como rumos futuros do trabalho de investigação verificar se reduzir o tempo de trabalho reduzirá também o risco de problemas cardíacos. "Analisaremos também se provoca alterações no estilo de vida, na saúde mental e em factores de risco tradicionais, como a tensão arterial, os níveis de glucose e o colesterol."

Fonte: Jornal Público