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São precisos mais 21 centros de reabilitação Imprimir e-mail
13-Apr-2010
Especialistas avisam que as nove unidades públicas  não chegam para os doentes e defendem parcerias com privados.

Apenas três por cento dos 20 mil doentes que precisam de reabilitação cardíaca têm acesso a estes programas que permitem prevenir, por exemplo, novos enfartes. Os especialistas defendem a articulação entre os hospitais públicos e as unidades privadas e a abertura de mais centros para aumentar a resposta a estes doentes.

Para o cardiologista do Hospital de Santa Cruz, Miguel Mendes, "todos os hospitais centrais e distritais deviam ter uma unidade" de reabilitação cardíaca, o que significa que devíamos ter mais 21 unidades do que as nove públicas actuais.

A reabilitação cardíaca - que esteve em debate no Congresso Português de Cardiologia, que ontem terminou - consiste na prática de exercícios físicos acompanhada por uma equipa médica multidisciplinar. E traz benefícios inegáveis para quem já foi vítima de um acidente cardiovascular, como o enfarte. Mas apenas 600 dos 20 mil doentes que precisam destes programas têm acesso a eles.

Os benefícios para a prevenção de novos problemas são inegáveis e a Coordenação Nacional para as Doenças Cardiovasculares já está a preparar o alargamento destes programas, esperando triplicar o número de doentes abrangidos. "Temos dados sobre os benefícios em vítimas de enfarte, por exemplo. Sabemos que a reabilitação pode reduzir em 25% o risco de um novo enfarte", afirma o especialista do Santa Cruz.

No caso de doentes de insuficiência cardíaca "também há ganhos, mas menos bem quantificados", refere. Entre eles estão a perda de peso, a redução da hipertensão e dislipidemia.

São várias as dificuldades para a aplicação destes programas. "Precisamos de reunir profissionais e formar equipas que desejam envolver-se nisto. Mas, para isso, tem de haver incentivos, já que um a equipa deve ter especialistas em medicina física e da reabilitação, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas ou assistentes sociais". Como actualmente este programas não são remunerados, os hospitais pouco investem.

Outra solução passa por uma articulação com o sector privado, que já tem pelo menos outras nove unidades de reabilitação cardíaca que evitariam novo investimento em instalações. "O hospital não pode tratar todos os doentes. Por isso, deviam tratar apenas os casos mais complexos e que necessitam de maior monitorização", avança. Por outro lado, recorda que muitos casos podiam ser resolvidos com programas ao domicílio, desde que houvesse contacto regular com os doentes.

O médico relembra outras limitações dos doentes, uma vez que um programa deste tipo, quando é intensivo, obriga ao investimento de muito tempo e, eventualmente, ao absentismo laboral. "É preciso que haja uma coordenação de esforços com o Ministério do Trabalho e Segurança Social. Só deve ir para reabilitação um doente que necessite realmente e isso leva o doente a voltar ao trabalho mais cedo. Ao mesmo tempo, ficavam a conhecer-se os casos em que uma baixa se justifica ou não." Um programa bem organizado tem 36 sessões de exercício monitorizado durante 12 semanas. As sessões combinam exercícios localizados e treino em tapete.

Fonte: Diário de Notícias.