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Reabilitação cardíaca vai chegar ao triplo dos doentes Imprimir e-mail
01-Mar-2010
Nos próximos dois anos, programas que reduzem mortalidade em 20% devem abranger cerca de dois mil doentes, mas a coordenação  nacional refere que actualmente apenas 600 das 20 mil pessoas que necessitam têm acesso.

Nos próximos dois anos vai triplicar o número de doentes a beneficiar de programas de reabilitação cardíaca, que envolvem a adopção de estilos de vida saudáveis e a prática de exercício monitorizado por médicos. Para isso, "o número de centros terá de ser alargado", diz ao DN coordenador nacional para as doenças cardiovasculares, Rui Ferreira. Isto significa que em vez de cerca de 600 poderão ser perto de dois mil por ano a entrar nestes programas, que reduzem entre 20% e 25% mortalidade a cinco anos.

Actualmente, "apenas 3% dos 20 mil doentes que necessitam têm acesso a um programa, mas queremos atingir os 10% nos próximos dois anos", diz ao DN Rui Ferreira. Geralmente, os doentes que entram nestes programas tiveram um problema cardíaco grave, como enfartes ou angioplastias (técnica para desobstruir veias).

Actualmente, estão em actividade nove centros públicos e nove privados com a oferta destas respostas. Em 2009, abriram mais dois, um no São João e um no Hospital de Faro. "Já foi uma melhoria, sobretudo porque foi fora de Lisboa e Porto, onde se concentram estes cuidados", refere. Em 2010, refere, "já haverá mais oferta fora dos grandes centros. Era um avanço e há condições para isso". O objectivo é "uma unidade de reabilitação em todos os distritos".

O Ministério da Saúde, através do Alto Comissariado, ajudará a criar condições. Uma das formas é "o financiamento de equipamento a hospitais". A maior dificuldade está em encontrar recursos para as equipas, que têm psicólogos, dietistas, cardiopneumologistas, assistentes sociais, entre outros.

Ana Abreu, coordenadora do grupo de estudos de fisiopatologia do esforço e reabilitação cardíaca da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e do programa de reabilitação do Hospital de Santa Marta, refere que o ideal seria que "todos os hospitais com serviço de cardiologia tivessem um programa". De acordo com Rui Ferreira, há 35 hospitais com serviço próprio ou apoio de cardiologistas.

A cardiologista colaborou na elaboração das recomendações, que são agora publicadas pela coordenação. Uma delas passa pelo incentivo ao desenvolvimento nacional de programas, com ganhos inequívocos para a saúde e para a produtividade (ver caixa). Fundamentalmente, consegue-se melhorar a qualidade de vida destes doentes. "Conseguimos promover a reintegração após um evento coronário", frisa Rui Ferreira.

A reabilitação passa ainda outro problema, que é conceptual: "os hospitais estão demasiado preocupados com o tratamento da fase aguda da doença e muito pouco com o pós-alta. Esta é uma oportunidade única para controlar os factores de risco destes doentes".

As quatro cardiopneumologistas que constituem a equipa de Santa Marta espalham humor e boa disposição na salinha dedicada à reabilitação cardíaca. Perdido nos cuidados intensivos, o laboratório de ergometria é um motivo de orgulho e razão de peso para quererem dedicar-se mais horas ou a trabalhar em exclusivo com as pessoas que sofreram um evento cardíaco.

"As pessoas que vêm para cá ainda não estão a 100%. Estão debilitadas e inseguras", conta uma das técnicas, Sandra .O programa, de 12 semanas inclui 36 sessões de exercício monitorizado), inclui 50 a 60 minutos de treino num tapete e exercícios localizados com elásticos, bolas, entre outros. Os factores de risco são analisados e tenta modificar-se o estilo de vida (dieta adequado, desabituação do tabaco, exercício). O apoio de um psicólogo é outra vertente essencial.

Fonte: Diário de Notícias