Skip to content
Início seta Notícias seta Reabilitação Cardiaca
Reabilitação Cardiaca Imprimir e-mail
15-Feb-2010
A reabilitação cardíaca é uma disciplina profissional que se encontra em desenvolvimento, no sentido de dar resposta às necessidades de uma população em envelhecimento e a uma maior consciência dos benefícios disponíveis em programas de cuidados em cardiologia para pessoas de todas as idades.

A enfermagem de reabilitação baseia-se em consistentes fundamentos teóricos e científicos, aplicados aos utentes para cuidar, numa perspectiva de saúde e ir ao encontro do outro para o acompanhar na promoção da saúde, recorrendo-se a determinados meios, como seja a reeducação funcional, a reinserção social e a reintegração escolar ou profissional.

A reabilitação cardíaca é um processo continuo, pelo qual a pessoa com doença cardíaca recupera e mantêm um óptimo nível fisiológico, psicológico, social, vocacional e emocional, responsabilizando-se pelo retorno a uma vida normal, activa e produtiva, sendo parte integrante no processo de recuperação após um episodio de doença cardíaca.

A sua eficácia depende de uma intervenção interdisciplinar, operada por técnicos especializados e pode aumentar tanto a duração como a qualidade de vida. A equipa multidisciplinar, na qual os enfermeiros de reabilitação estão integrados, tem como objectivo comum conseguir o maior nível de autonomia possível para o utente com incapacidade, para que viva o menos possível situações de desvantagem.

A pessoa com doença cardíaca por não ver o seu coração não reconhece imediatamente a sua incapacidade e, por esse motivo, não sabe como deve agir futuramente, pois a perda de saúde já não é o aparecimento inesperado de uma doença, mas sim a incapacidade de se recriar para a enfrentar. Como o utente não tem essa noção é necessário que o enfermeiro tome essa responsabilidade, vá ao seu encontro, demonstrando interesse pela sua situação em particular, ajudando-o, explicando-lhe as diversas alternativas e caminhos a seguir, deixando-lhe por fim a opção de escolher o que melhor se lhe adequa.

A actuação da enfermagem na área da reabilitação cardíaca apresenta várias fases, ordenadas e sequenciais:

a) avaliação inicial do risco;

b) deambulação e actividade física precoce, respeitando os princípios de conservação da energia à medida que os exercícios de mobilidade articular evoluem de passivos para activos;

c) educação do utente/familiar que inclui habilita-los com informação e conhecimento específico da doença, orientar e instruir sobre os níveis de actividade, exercícios específicos, medicamentos, tipo de alimentação e ainda, informação preparatória sobre o retorno ao trabalho, a reeducação do stress, a actividade sexual e as modificações do estilo de vida.

A educação do utente/familiar é iniciada o mais precoce possível e devem receber informação individualizada para as suas necessidades, pois tanto o utente como o familiar podem ter conceitos errados ao fazer má interpretação do processo de doença e/ou das vantagens de participar num programa de reabilitação cardíaca.

O sucesso para reabilitar o utente só será efectivo, se as acções desenvolvidas lhe fizerem sentido, se for seu desejo, se o respeitarem e se houver toda uma equipa em interacção permanente desde a sua admissão, pois a reabilitação cardíaca é um processo continuo, individualizado e programado, em que o utente estará mais motivado para o tratamento se as suas prioridades forem respeitadas pela equipa.

BIBLIOGRAFIA
CRUZ, Arménio Guardado (et al) – Manual sinais vitais – Técnicas de reabilitação II. 1ª ed. Coimbra: Formasau, 1997. 137 p. ISBN 972 – 96680 – 7 - 8
HESBEEN, Walter – Qualidade em enfermagem – Pensamento e acção na perspectiva do cuidar. Lisboa: Lusociência, 2001. 220p. ISBN 972 – 8383 -20 – 7
HESBEEN, Walter – A Reabilitação – Criar novos caminhos. Lisboa: Lusociência, 2003. 166p. ISBN 972-8383-43-6
HOEMEN, Shirley – Enfermagem de reabilitação: aplicação e processo. 2ª ed. Lisboa: Lusociência, 2000. 787p. ISBN 972 – 8383 – 13 – 4

Serviço de Cardiologia
Enf. Maria João Pinheiro

Fonte: Hospital Nossa Senhora do Rosário, EPE