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Exercício Físico Benéfico para Doentes Cardíacos Imprimir e-mail
27-Feb-2009
Estudo demonstra que a prática de exercício físico regular, durante 30 minutos, em doentes com insuficiência cardíaca, reduz em 15% o seu risco de internamento por complicações de insuficiência cardíaca e morte cardiovascular.


De acordo com um estudo divulgado hoje no âmbito da reunião anual do Grupo de Estudos de Fisiopatologia de Esforço e Reabilitação Cardíaca (GEFERC) da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a prática de exercício físico teve uma redução significativa de 15% no risco de morte cardiovascular e hospitalização devido a complicações de insuficiência cardíaca, sendo estes dados, resultados corrigidos relativamente a alguns factores clínicos major.

Esta foi a principal conclusão do HF-ACTION, um estudo apresentado na American Heart Association Scientific Meeting Sessions 2008, que visa analisar os efeitos que a prática de exercício físico tem em doentes com insuficiência cardíaca.

O HF-ACTION envolveu 2.331 doentes cardíacos dos EUA, Canadá e França e consistiu na divisão dos participantes em dois grupos; o primeiro, recebeu o tratamento médico adequado convencional e o segundo, recebeu os mesmos cuidados terapêuticos, juntamente com um programa de treino de exercício físico regular.

Embora numa primeira análise, o treino físico tenha produzido uma redução não significativa do objectivo primário, hospitalização e morte, uma segunda apreciação revelou que, após ajustamento relativo a factores clínicos major, o exercício físico teve beneficio significativo. Assim, e segundo os investigadores, estas conclusões colocam de lado as incertezas sobre os benefícios que o exercício físico tem em alguns doentes de risco com insuficiência cardíaca.

"A conclusão mais importante deste estudo é que o exercício físico é seguro para doentes com insuficiência cardíaca, e que logo que foram feitos ajustamentos com base em características especificas, os resultados clínicos demonstraram isso mesmo" referiu Christopher O'Connor, Director do Duke Heart Center e investigador responsável pelo estudo.

"Na nossa opinião, estes são resultados importantes para os doentes e fisioterapeutas. Sabemos que é necessário muito tempo e um forte compromisso para responder à questão que temos colocado ao longo dos anos: Devemos pedir aos nossos doentes para participarem num treino de exercício físico? Agora sabemos que a resposta é sim," reforçou David Whellan, M.D. da Universidade Thomas Jefferson co-investigador principal .

Com base na segurança do treino de exercício e na redução de eventos clínicos, os resultados do estudo HF-ACTION apoiam um programa de exercício físico prescrito, para doentes com uma reduzida função ventricular esquerda e sintomas de insuficiência cardíaca, juntamente com terapêutica médica.


Características dos participantes do estudo

Os participantes do HF-ACTION tinham um significativo grau de Insuficiência Cardíaca, determinado pela fracção de ejecção ventricular esquerda (LVEF), que mede a força com que o coração bombeia o sangue através do corpo. O LVEF dos pacientes era de 25%, sendo o valor normal igual ou superior a 50%, e neste caso, os doentes já estavam a receber o tratamento mais adequado. Assim, 95% estavam a tomar medicação para insuficiência cardíaca, como IECA ou bloqueadores beta, enquanto 45% tinham dispositivos para aumentar a capacidade de bomba dos seus corações ou para controlar arritmias. A idade média dos doentes era de 59 anos e cerca de um terço, eram mulheres.

"Os doentes que participaram neste estudo estavam bastante debilitados e a receber um tratamento médico excepcional. Este facto torna os resultados que alcançaram com o programa de exercício ainda mais notáveis", reforçou David Whellan.

 

O programa de exercício:

Os doentes iniciaram o programa de exercício, com o objectivo de três sessões de exercício, durante 30 minutos, três vezes por semana. Após 18 sessões, transitaram para um programa em casa, com o objectivo de 40 minutos de exercício, durante 5 dias por semana, em bicicleta de manutenção ou na passadeira. Os doentes mantinham registos diários dos seus tempos de exercício e frequências cardíacas.

Os restantes doentes, continuaram a sua terapêutica médica e foram encorajados a terem uma vida activa. Todos os membros de ambos os grupos receberam formação sobre o valor do exercício físico.

Os investigadores seguiram os doentes durante dois anos e meio, monitorizando clinicamente os parâmetros de insuficiência cardíaca, qualidade de vida, hospitalização, eventos cardíacos e taxas de morte.

Durante o estudo, 796 (68%) dos doentes com tratamento médico convencional morreram ou foram hospitalizados, comparando com 759 (65%) dos que praticaram exercício. Além disso, registaram-se 198 mortes (17%) entre pacientes do grupo de tratamento convencional, comparando com 189 (16%) do grupo de exercício.


Fonte: Médicos de Portugal