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Reabilitação Cardíaca abrange apenas 3% dos doentes com Enfarte do Miocárdio Imprimir e-mail
02-Mar-2009
De acordo com os resultados de um inquérito nacional, apenas 3% dos doentes com enfarte do miocárdio, recorrem à reabilitação cardíaca, apesar do número de centros continuar a aumentar. Estes valores de reduzida adesão à reabilitação cardíaca têm como causas principais a falta de recomendação por parte dos médicos e a não comparticipação da reabilitação pelo Serviço Nacional de Saúde, segundo o mesmo inquérito.



O Grupo de Estudos de Fisiopatologia de Esforço e Reabilitação Cardíaca (GEFERC) da Sociedade Portuguesa de Cardiologia apresentou hoje os resultados de um inquérito nacional sobre "O Panorama da Reabilitação Cardíaca em Portugal", indicativos de que apenas 3% dos doentes com alta hospitalar por enfarte do miocárdio efectuaram reabilitação cardíaca, no ano de 2007, registando assim valores muito reduzidos quando comparados com os restantes países europeus e EUA.

geferc
A reabilitação cardíaca é um conjunto de medidas, que incluem um programa individualizado de exercício físico e controlo de factores de risco de doença coronária, que permite reduzir a morbilidade e mortalidade em doentes com problemas cardiovasculares, nomeadamente insuficiência cardíaca.

Sendo as doenças cardiovasculares a principal causa de morte em Portugal, só no ano de 2007, verificou-se o internamento de 11.909 doentes com enfartes do miocárdio, dos quais 10,9% resultaram em óbitos intra-hospitalares (dados de GDH). Este inquérito, demonstra ainda que desde 1998 até ao final de 2007, apenas 5.588 doentes realizaram um programa de reabilitação cardíaca, dos quais 638 o fizeram no último ano.

A maioria dos doentes que realizam este programa, têm doença coronária, em particular enfarte do miocárdio, 50%, e em menor número são coronários operados, 18%, ou submetidos a angioplastia, 10% (12% incluem vários diagnósticos entre os quais a insuficiência cardíaca).


Evolução de Centros de Reabilitação Cardíaca

Outro dos aspectos analisados neste inquérito, demonstra que se verificou uma evolução do número de centros de Reabilitação Cardíaca em Portugal, uma vez que no final de 2007 contáva com 16 centros, dos quais 8 estão espalhados pela grande Lisboa, e os restantes no norte do país, enquanto em 1998 se contabilizavam apenas 5.

Do total de centros de reabilitação cardíaca, existem 7 que são públicos, nomeadamente: Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia, Hospital de Santo António, Hospital de Santa Marta, Hospital Militar de Belém, Hospital S. Sebastião, Hospital Pedro Hispano, Hospital Amadora Sintra, e 9 privados, como é o caso do Instituto do Coração, Clínica das Conchas, Clínica Coração de Jesus, Diprofisio, Clipóvoa, Fisimaia, Clube Coronário, Clínica Dr. Dídio Aguiar e Clínica de Fisioterapia de Gaia.

"Através deste estudo concluímos que ainda há muito para fazer em Portugal para que sejam criadas condições de acesso à reabilitação cardíaca," referiu a Dr.ª Ana Abreu, Coordenadora do GEFERC da Sociedade Portuguesa de Cardiologia. "É nossa missão, divulgar aos cardiologistas os benefícios que a reabilitação cardíaca pode trazer para o doente cardiovascular, assim como dar a conhecer os centros que existem e que podem ser recomendados, procurando sempre a redução de mortalidade e melhoria da qualidade de vida do doente."

De acordo com os dados finais deste estudo, a falta de referenciação médica e a não comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde, são apontadas como algumas das causas para a sub-utilização da reabilitação cardíaca. A escassez de centros de reabilitação e a sua deficiente distribuição geográfica, a má informação dada ao doente e por vezes ao médico, a falta de motivação do doente e da divulgação dos programas, foram outras das causas referenciadas.

Estes dados, são baseados no GDH de 2007 e inquéritos nacionais da Sociedade Portuguesa de Cardiologia referentes à reabilitação cardíaca, em 1998 e em 2007.

Fonte: Médicos de Portugal